Sábado na avenida

Sempre era verdade. Os jacarandás já acordaram na tua cidade. O primeiro lilás.
Sei porque subi a avenida até à igreja, encantei-me com a transparência da água do lago, ao sol de sábado. Lembro-me que dantes tinha peixes, em miúdo ia dar-lhes pão enquanto secretamente sonhava em pescá-los. Também das noites em que atrasava o andar para chegar a casa à hora em que se acendia a luz no 1º esquerdo, nessa altura desenhava o contorno nocturno das árvores, sentava-me na escadaria, olhava vezes sem conta para o relógio.
Depois o café na Biarritz.. Vi-te? Não sei. Tantas vezes procurei ler por detrás da transparência da pele, sempre sinais, fosforescências, um gesto talhado a meio pela emoção. De repente o mundo era o sol a romper o frio, bebíamos sumo de laranja e pão com manteiga, os minutos eram imensos e demasiadamente curtos para tudo o que ainda nem sabia como pôr nas palavras, nos gestos.
E quase sem saber cheguei à casa do poeta. Aquele homem de cabelos brancos que percorria a varanda em frente à minha. “É o poeta”, diziam-me, e eu chamava um anjo da guarda que o protegesse enquanto andava sozinho, em frente à minha varanda, e fazia palavras com asas que me defendiam da escuridão como um pára-raios.
Agora aninho-me na noite, com os meus gatos.
Trago na mão um punhado de ar azul, lilás. Algumas palavras com asas que consegui encontrar, esquecidas junto à casa. A cor do lago da igreja. O sabor da tua pele nos meus dedos.
Sei porque subi a avenida até à igreja, encantei-me com a transparência da água do lago, ao sol de sábado. Lembro-me que dantes tinha peixes, em miúdo ia dar-lhes pão enquanto secretamente sonhava em pescá-los. Também das noites em que atrasava o andar para chegar a casa à hora em que se acendia a luz no 1º esquerdo, nessa altura desenhava o contorno nocturno das árvores, sentava-me na escadaria, olhava vezes sem conta para o relógio.
Depois o café na Biarritz.. Vi-te? Não sei. Tantas vezes procurei ler por detrás da transparência da pele, sempre sinais, fosforescências, um gesto talhado a meio pela emoção. De repente o mundo era o sol a romper o frio, bebíamos sumo de laranja e pão com manteiga, os minutos eram imensos e demasiadamente curtos para tudo o que ainda nem sabia como pôr nas palavras, nos gestos.
E quase sem saber cheguei à casa do poeta. Aquele homem de cabelos brancos que percorria a varanda em frente à minha. “É o poeta”, diziam-me, e eu chamava um anjo da guarda que o protegesse enquanto andava sozinho, em frente à minha varanda, e fazia palavras com asas que me defendiam da escuridão como um pára-raios.
Agora aninho-me na noite, com os meus gatos.
Trago na mão um punhado de ar azul, lilás. Algumas palavras com asas que consegui encontrar, esquecidas junto à casa. A cor do lago da igreja. O sabor da tua pele nos meus dedos.
3 Comments:
"Mas há coisas que se puxam
que não podemos saber
coisas que nascem estrebucham
antes de alguém as dizer:
Viva o Zé Gomes Ferreira
quando inventa uma roseira.
Viva o Manuel da Fonseca
quando nos fala da seca
e viva o Miguel que outorga
ar livre mesmo que morda."
Ary dos Santos
PS: Encontrei a tua amada... lá prós baixos da avenida. Dei-lhe um beijo na cara , para se lembrar de mim!
"A invenção dos dias" nasce sempre de manhã cedo, com sumo de laranja e pão com manteiga.
Bj
maria
taliesinwest,
eu morava em frente ao poeta...no outro lado da rua, precisamente. e sim, lembro-me bem da louca que morava neste mesmo rés-do chão.
muito provável termos-nos cruzado...
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